Caros finalistas, com Cristo, não desistais de
sonhar um mundo melhor.
Caros
finalistas do Instituto Politécnico de Setúbal, felicito-vos porque,
apetrechados com a esperança, a coragem, a disciplina, a luta diária, concluístes
o vosso curso. Saúdo também os pais e os professores que vos apoiaram com
dedicação. Felicito-vos ainda pela decisão de tomar parte na
celebração de acção de graças a Deus por este sucesso, numa
significativa e humanizante atitude de fé, em que vão participar muitos dos
vossos familiares, professores e amigos.
A fé
humana, própria do crente e do descrente, é indispensável. Nela alguém decide
casar, abrir uma empresa ou jogar na lotaria; nela alguém investiga dia e noite
na esperança de obter a cura duma doença ou procura a verdade certo de que não
andará iludido.
No
entanto, a fé que vos reúne na Bênção dos Finalistas é de ordem divina.
É a fé
em Deus que nos criou e sustenta na existência, de modo tão discreto e humilde,
que cada pessoa O pode acolher ou recusar, livremente, como é próprio do acto
da fé.
Fé em
Deus que não só nos criou mas que também por amor nos enviou o Seu Filho, que
viveu nossas alegrias, esperanças e dores e que abriu na humanidade o caminho
que vence a morte.
Fé em
Jesus, Filho de Deus feito homem, condenado à morte por se afirmar Filho de
Deus e a quem Deus Pai retirou da morte, mostrando assim que Jesus é Deus
connosco e tem o poder de dar o Amor de Deus, a quem aceita crer, para ser
capaz de amar e vencer a morte, como Ele.
Fé no
Espírito Santo que Jesus nos deu com a Sua morte, que nos envolve no amor de
Deus e que nos atrai para a verdade, para o bem e para o amor, na comunhão da
Igreja.
Cristo, Deus feito homem, morto e
ressuscitado é o centro da fé cristã.
Como é
que os discípulos de Jesus chegaram à fé em Cristo, Deus feito homem, após a
desilusão provocada pela Sua morte? Eles
não inventaram o acontecimento da ressurreição nem estavam abertos a ele. Foi o
próprio Jesus que, aparecendo-lhes por várias vezes e modos, os ajudou a passar
da incredulidade à fé, da desilusão à alegria, do medo à audácia de dizer às
autoridades - que lhes impunham silêncio - que não calariam o que viram e
ouviram: que Jesus Ressuscitou, que é Deus connosco, vencedor da morte e do mal
e o único Salvador do mundo.
Os
discípulos viram o Ressuscitado e acreditaram.
Ao longo
dos séculos muitos fiéis, sem O verem, encontraram na Igreja, em especial
na santidade de tantos e tão grandes
santos, sinais da Sua Ressurreição. Hoje, diante destes sinais há quem decida
acreditar em Jesus e quem decida não o fazer.
Finalistas, ao buscar a Bênção de Jesus, vós partilhais a fé da Igreja
em Jesus Cristo, morto e ressuscitado. Vivei na fé e no amor de Jesus, fonte de
vida e chave que permite apreciar a
beleza e a actualidade da Palavra de Deus, dos mandamentos, da oração,
dos sacramentos: da Igreja.
Nesta fé, e com a Igreja, construí a vida
em Cristo, caminhai no amor a Deus e ao próximo, segui-O na promoção e defesa
dos mais fracos, comunicai a esperança. Não desistais de semear a verdade, a
justiça, o bem comum, a solidariedade, o perdão e o amor por cada pessoa. Não
desistais de ajudar os mais débeis nem de sonhar um mundo melhor, fraterno e
justo. Não desistais de Jesus e da Sua Igreja. Não desistais, mesmo que todos
desistam e mesmo que isso vos leve à cruz.
A fé
cristã é fermento de vida em abundância e é garantia de que dar a vida para que
os outros vivam é fonte de vitória, mesmo no meio de fracassos, já que a fé não
livra de riscos e dores.
A fé é
dom de Deus e é decisão pessoal inseparável da comunhão eclesial. Na verdade, a
fé recebe-se da Igreja, insere na comunhão da Igreja e educa-se no contacto com
a Igreja através da oração e dos meios que a Igreja coloca ao dispor de todos
os fiéis cristãos .
Amigos,
peço para todos vós
– tenhais ou não fé
– este grande dom da Fé.
Caros
finalistas, a conclusão do curso é uma etapa da viagem iniciada no seio materno
até ao outro lado da vida onde a dor e a morte não têm lugar e onde reina a
plenitude da alegria, da justiça, do amor e da comunhão para sempre: o Céu. A
Igreja de Setúbal faz sua a vossa alegria de hoje e pede a Deus para todos,
tenhais ou não fé em Jesus, a vitória no fim da aventura da vida nesta terra.
Onde passardes, deixai as marcas da sabedoria, da competência, do amor ao bem
comum, do respeito por cada vida, da justiça, do rigor científico que o
Instituto vos ajudou a cultivar.
Parabéns e felicidades, caros finalistas, familiares, professores e
funcionários do IPS.
+Gilberto,Bispo de Setúbal